Tratamento do linfedema
Podemos dividir o tratamento em dois: cirúrgico e não cirúrgico (conservador). Até o momento não há estudos satisfatórios comparando todos os diferentes métodos de tratamento, mas a realidade é que o tratamento precoce é o melhor para obter os melhores resultados. Também vale a pena considerar que uma combinação de terapias pode ser uma ótima opção para alguns pacientes. O importante é escolher as ferramentas apropriadas para o paciente indicado, uma vez que, até o momento, não podemos considerar que existe um procedimento que leve a cura definitiva.
Embora haja possibilidade de tratamento cirúrgico (anastomose linfovenosa, transferência autóloga de linfonodos vascularizados, enxertos linfáticos, debulking), deve-se considerar que nem todos os pacientes são candidatos a recebê-lo e que a primeira linha de tratamento a ser oferecida ao paciente é o tratamento conservador – por excelência, a terapia linfática. Além dos métodos (Földi, Godoy, Leduc, Vodder, Ciucci) de cada abordagem terapêutica, a terapia linfática consiste em eixos fundamentais que incluem:
- Terapia Compressiva
- Cuidados com a Pele
- Exercício Terapêutico Descongestivo
- Drenagem Linfática Manual
- Educação do Paciente e da Família
Globalmente, a intervenção padrão ouro do tratamento da maioria dos casos de linfedema é a terapia descongestiva complexa, também conhecida como terapia linfática, terapia descongestiva completa ou reabilitação vascular periférica. Michael Földi foi quem divulgou esse termo nos inícios da atenção dos seus pacientes com linfedema e podemos nos certificar de que é basicamente um tratamento físico, uma intervenção conservadora que envolve quatro passos fundamentais: cuidado com a pele, exercício terapêutico, drenagem linfática manual e, de um ponto de vista, um dos mais importantes, a terapia compressiva por meio de bandagens especiais, materiais especiais, meias elásticas especiais de compressão. A maioria dos pacientes com linfedema podem obter um bom resultado nesse tipo de intervenção terapêutica.
Ainda assim, dentro do marco da terapia descongestiva complexa, existem diferentes “escolas” que propõem novas ferramentas ou ferramentas coadjuvantes. Antes de mais nada, não se pode conceber a terapia descongestiva complexa sem esses quatro elementos.
Outras ferramentas úteis podem chegar a ser a pressoterapia intermitente, a bandagem neuromuscular e algumas outras técnicas manuais fisioterapêuticas.
Dentro do marco da terapia descongestiva complexa, e falando especificamente da drenagem linfática manual, existem diferentes “escolas”, existem diferentes métodos de tratamento manual para estimular a saída do edema, a absorção de macromoléculas e a redução de fibrose dos pacientes que apresentam o linfedema. Podemos identificar algumas “escolas”, como: a Ciucci, Földi,Godoy & Godoy, Leduc e Vodder, na qual se modifica certas manobras terapêuticas que buscam ser efetivas , tanto na função linfática como na saída de fluidos e absorção de macromoléculas, que está causando a linfoestase e o aumento no volume do paciente.
Apesar de haver escolas diferentes, de um ponto de vista manual, nenhuma dessas escolas omite algum desses quatro componentes que pode ser variável, e com resultados diferentes segundo cada técnica ou o foco que se queira dar, ou o efeito que queremos gerar no paciente, e a terapia de compressão. Embora existam diversas opções de terapia de compressão, esses quatro elementos são os básicos e fundamentais da terapia linfática, daí, a importância de conhecer em que consiste cada método, em que consiste cada componente de terapia linfática para poder oferecer a nossos pacientes tratamentos de melhor qualidade e melhor eficiência.
A terapia linfática também é conhecida como terapia complexa descongestiva, fisioterapia combinada ou fisioterapia complexa descongestiva. É corroborada por uma longa experiência clínica em todo o mundo e com muitos estudos sobre a eficácia dos seus componentes e geralmente pode ser aplicada a crianças e adultos na maioria das áreas do corpo. Consiste em cuidados com a pele, drenagem linfática manual, exercícios de bombeamento muscular (descongestionantes) e compressão aplicada com bandagens multicamadas, espumas e ataduras inelásticas e outras meias de compressão especiais.
Os pré-requisitos da terapia linfática bem-sucedida é a disponibilidade de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros terapeutas especificamente treinados, instruídos e experientes no tratamento desse tipo de paciente.
É importante considerar a indústria de materiais que precisam produzir e fornecer produtos a preços acessíveis e de alta qualidade.
A compreensão das necessidades de cada paciente é de suma importância para dar um tratamento bem-sucedido, cujo o objetivo é reduzir o volume do membro o máximo possível e manter esse volume para o resto da vida do paciente.
As bandagens de compressão quando aplicadas incorretamente, podem ser prejudiciais e/ou inúteis
Por isso, a aplicação de bandagens multi camadas deve ser realizada apenas por um profissional treinado.
Há muitos produtos, meias de compressão (com velcro, zíper, etc) e bandagens. O mais importante é encontrar algo que ajude a manter e reduzir o edema e que o paciente se adapte sem comprometer a sua funcionalidade.
Cura do linfedema
Até o dia de hoje, a ciência e as equipes de pesquisadores, as equipes de tratamento clínicos, não encontraram a cura para o linfedema. Como cura, entendemos um procedimento terapêutico que se realiza apenas uma vez, uma solução definitiva para o problema do linfedema; neste caso seria tomar um medicamento, realizar algum procedimento de tratamento físico e o paciente sair da situação do linfedema. Nesse sentido o linfedema não tem cura, não é uma situação que podemos nos desfazer de uma vez ou com apenas um procedimento ou com um remédio, ou ainda, apenas com uma intervenção médica terapêutica. A realidade, é que o linfedema é totalmente reversível e controlável, isso incluindo altos graus de normalização tanto de volume quanto a função física do paciente, e isso é importante. Não quer dizer, porém, que não se esteja trabalhando para encontrar novas formas terapêuticas que tentem ser cada vez mais efetivas do ponto de vista de terapia física, ou desde o ponto de vista cirúrgico ou ainda farmacológico.
Partindo de uma nova visão, tudo isso é uma abordagem integral. Cada vez mais, a cirurgia avança e tenta ser mais efetiva, embora os pacientes “candidatos” a esses procedimentos não sejam todos os pacientes com diagnóstico de linfedema.
Existem remédios que podem ajudar a melhorar a redução do volume de linfedema, porém não há nenhum remédio que elimine a disfunção linfática ou solucione de uma vez a situação.
Há soluções terapêuticas mais novas, como o uso de células-tronco. Há o uso de terapia gênica que busca modificar a função linfática e como o paciente se desenvolve, desde o ponto da terapia física. Já foram vistos também novos procedimentos que buscam encurtar os tempos de melhoria, quer dizer, reduzir o volume do edema em um período mais curto de tempo e melhorar a função física do paciente de maneira mais efetiva.
Tudo isso em conjunto permite a médicos, fisioterapeutas e enfermeiras em equipe interdisciplinar viabilizar formas terapêuticas que são mais efetivas, muito embora não curem de maneira definitiva o linfedema. Isso é importante porque pode-se entender posteriormente que se pode reduzir, controlar até uma determinada normalidade e melhorar a qualidade de vida do paciente a curto, médio e longo prazos.
A cada vez se tenta tornar essas terapias mais efetivas, a ciência avança e caminha na direção de encontrar soluções mais efetivas e mais definitivas para poder oferecer a nossos pacientes com linfedema.
